Subsídio de férias e de Natal vs 13.ª e 14.ª mensalidade em Itália
Última alteração a 5 de novembro de 2026 • 6 min de leitura • 1 172 palavrasQuando um diretor financeiro português ouve que em Itália “também se paga 13.º e 14.º mês”, tende a relaxar. Afinal, em Portugal já se orçamenta tudo a 14 meses. A semelhança é real, mas é só metade da história. As regras de origem, as datas, os setores abrangidos e até a forma de negociar o salário são diferentes. Este artigo explica o que muda e como evitar surpresas na tesouraria.
De onde vem cada pagamento
Em Portugal, os dois pagamentos extra estão no Código do Trabalho. O subsídio de Natal é igual a um mês de retribuição e tem de ser pago até 15 de dezembro ( art. 263.º ). O subsídio de férias acompanha o período de férias e, em regra, é pago antes de o trabalhador as gozar ( art. 264.º ). Qualquer empregador, de qualquer setor, paga os dois.
Em Itália, a lógica é outra. A “tredicesima” (13.ª mensalidade) e a “quattordicesima” (14.ª) são fixadas pelas convenções coletivas nacionais, as CCNL. Todas as CCNL preveem a 13.ª, paga em dezembro. A 14.ª só existe em algumas, como a do comércio e serviços, e é paga normalmente em junho ou julho. Uma função de engenharia ao abrigo da convenção metalúrgica, por exemplo, recebe em 13 prestações, não em 14.
Conclusão prática: em Itália não se pergunta “quantos meses se paga?”, pergunta-se “que CCNL se aplica?”. A resposta define o número de prestações.
Não há subsídio de férias à italiana
Este é o erro mais comum de quem vem de Portugal. Em Itália não existe um subsídio de férias legal equivalente ao português. Durante as férias o trabalhador recebe o salário normal, e a 14.ª, quando existe, cai no verão por tradição, mas não está ligada ao gozo de férias. Se a sua equipa de RH tentar replicar o calendário português, vai pagar coisas que a convenção não prevê, ou esquecer as que prevê.
O salário negocia-se em bruto anual
Em Portugal fala-se de salário mensal: “2.500 € vezes 14”. Em Itália fala-se de RAL, a retribuição anual bruta, que já inclui todas as prestações. Um candidato que pede uma RAL de um certo valor está a falar do total do ano. Se a convenção prevê 14 prestações, cada recibo normal é a RAL dividida por 14; se prevê 13, dividida por 13.
Isto tem duas consequências. Primeiro, não se soma nada por cima da RAL para “pagar os subsídios”: já lá estão. Segundo, para comparar uma proposta italiana com um salário português, converta ambos para o total anual bruto e depois para o custo total do empregador. Comparar mensalidades leva a conclusões erradas.
O efeito na tesouraria
Com prestações pagas de uma vez, o processamento de dezembro (e de junho ou julho, quando há 14.ª) é bastante mais pesado do que os outros meses. E não é só o salário: as contribuições do empregador incidem também sobre estas prestações, por isso o pico de custo é maior do que o valor que o trabalhador recebe.
Há também a questão contabilística, que qualquer contabilista certificado português conhece: a 13.ª e a 14.ª vencem-se mês a mês, mesmo que se paguem mais tarde. Se só registar o gasto quando paga, os resultados mensais ficam artificialmente bons durante o ano e maus no mês do pagamento. A boa prática é especializar o custo todos os meses.
Duodécimos: a solução que já conhece
Em Portugal houve anos em que os subsídios foram pagos em duodécimos, e muitas empresas ainda conhecem o mecanismo. Em Itália é possível algo semelhante: distribuir a 13.ª e a 14.ª em cada recibo mensal, se a CCNL ou um acordo individual o permitirem. É a opção que usamos por defeito nos nossos orçamentos: cada mês custa o mesmo e nada se acumula para dezembro.
Com o TFR passa-se o mesmo. Em vez de deixar crescer um passivo de fim de contrato, pagamo-lo mensalmente ao fundo escolhido pelo trabalhador. O resultado é uma fatura mensal estável, que a sua tesouraria consegue prever sem folhas de cálculo paralelas.
Na entrada e na saída
Quem entra a meio do ano recebe a parte proporcional da 13.ª e da 14.ª. Quem sai recebe, no último recibo, a parte acumulada até à data, juntamente com o TFR e as férias não gozadas. É uma lógica parecida com os proporcionais portugueses, mas com rubricas diferentes. Inclua-as em qualquer plano de saída.
O que dizer ao candidato
Na proposta, indique sempre:
- a RAL, em bruto anual;
- a CCNL aplicada e o número de prestações;
- se a 13.ª e a 14.ª são pagas de uma vez ou em duodécimos;
- que benefícios ficam fora da RAL, como vales de refeição ou viatura.
Clareza aqui evita litígios mais tarde, e evita que uma proposta pareça maior ou menor do que é.
O que explicar à administração em Portugal
Um trabalhador italiano com uma certa RAL não custa essa RAL dividida por 12, nem por 14. Custa a RAL mais contribuições, seguro de acidentes, TFR e eventuais fundos da convenção. Veja a nossa comparação Itália vs Portugal para o quadro completo, ou use a calculadora de custos para um valor concreto.
Em resumo
A 13.ª e a 14.ª italianas são salário obrigatório, não prémios. A diferença face a Portugal está na origem (convenção, não lei), no número de prestações (depende da CCNL) e na ausência de um subsídio de férias legal. Confirme a convenção primeiro, orçamente o custo anual, especialize mês a mês, ou peça-nos o pagamento em duodécimos, e o tema deixa de ser uma surpresa.
O preço Employer of Record tudo incluído mais baixo para Itália
ContratarEmItália: 250 € por trabalhador por mês, tudo incluído: contrato de trabalho italiano e escolha da CCNL, processamento mensal, recibos e declarações, admissão e cessação, documentos de RH e aditamentos, faturação em euros, sem spread cambial, sem taxa de configuração.
| Fornecedor | Preço anunciado | Preço para Itália | Em EUR | Tudo incluído? |
|---|---|---|---|---|
| ContratarEmItália (EmployItaly) | €250 | Publicado | €250 | Sim |
| Native Teams | desde $99 | Não publicado | €92 | Não indicado |
| Boundless | desde €175 | Não publicado | €175 | Não indicado |
| Skuad (Payoneer) | desde $199 | Não publicado | €184 | Não indicado |
| Remofirst | desde $199 | Não publicado | €184 | Não indicado |
| Rivermate | desde €329 | Não publicado | €329 | Sim |
| Playroll | $399 | Publicado | €369 | Não |
| Multiplier | desde $459 | Não publicado | €425 | Não |
| PeoItaly | €450 | Publicado | €450 | Não indicado |
| Papaya Global | desde $499 | Não publicado | €462 | Não indicado |
| Horizons (now Remote People) | desde $499 | Não publicado | €462 | Não |
| Lano | desde €499 | Não publicado | €499 | Não |
| Borderless AI | desde $579 | Não publicado | €536 | Não |
| Deel | desde $599 | Não publicado | €555 | Não |
| Remote | desde $599 | Não publicado | €555 | Não indicado |
| Globalization Partners (G-P) | desde $599 | Não publicado | €555 | Não |
| Atlas HXM | desde $599 | Não publicado | €555 | Não |
| Oyster | $699 | Publicado | €647 | Não |
Só por orçamento, sem preço público para Itália: Rippling, Velocity Global (Pebl), Omnipresent, Safeguard Global, INS Global, Asanify, Wisemonk, EOR Italy (eoritaly.com), eor-italy.com, Italian Employer of Record (employerofrecorditaly.com), Italian Payroll (italianpayroll.it, Lexia), HR Capital. Consultado a 2026-10-27; USD convertidos a 1.08 por EUR. O custo do trabalho é igual com qualquer fornecedor e não está incluído.