# Do bruto ao líquido em Itália, com Portugal como referência

> Como se chega ao salário líquido de um trabalhador em Itália, e porque não se pode transpor a intuição do IRS e dos 11% de Segurança Social.

Quando uma empresa portuguesa faz uma proposta em Itália, o candidato pergunta quase sempre a mesma coisa: "quanto fico a receber?". E o gestor português tende a responder por analogia com Portugal: tira 11% de Segurança Social, aplica uma taxa média de IRS e chega a um número. Em Itália essa intuição falha. Este artigo explica o caminho do bruto ao líquido, passo a passo.

## Passo 1: contribuições do trabalhador

Em Portugal, o trabalhador por conta de outrem desconta 11% para a Segurança Social ([PwC, Guia Fiscal 2026](https://www.pwc.pt/pt/pwcinforfisco/guia-fiscal/2026/seguranca-social.html)). Em Itália a parte do trabalhador para o INPS é de 9,19% do bruto, mais 1% sobre a parte do rendimento anual acima de 56.224 €.

Para quem começou a descontar a partir de 1996, há ainda um teto: acima de 122.295 € anuais em 2026 deixam de ser devidas contribuições para pensão. Só interessa em salários muito altos, mas convém sabê-lo para cargos de direção.

## Passo 2: o rendimento tributável

O IRPEF, o imposto italiano sobre o rendimento, incide sobre o bruto menos as contribuições do trabalhador. Até aqui, nada de muito diferente do raciocínio português.

## Passo 3: os escalões do IRPEF

Em 2026, o IRPEF tem três escalões:

- 23% até 28.000 €;
- 33% de 28.000 € a 50.000 €;
- 43% acima de 50.000 €.

Como no IRS, cada parcela paga a sua taxa: quem ganha 40.000 € não paga 33% sobre tudo, paga 23% sobre os primeiros 28.000 € e 33% sobre o resto. Os valores vêm de uma fonte profissional e devem ser confirmados com os textos oficiais antes de usar em produção.

## Passo 4: as deduções

As deduções de trabalho dependente reduzem o imposto. São maiores nos salários baixos e chegam a zero aos 50.000 € de rendimento. Entre 20.000 € e 40.000 € aplica-se ainda uma dedução extra até 1.000 €. Para rendimentos mais baixos existem também uma parcela não tributável e um tratamento integrativo. O efeito é que a taxa efetiva nos salários médios fica bem abaixo da taxa marginal.

## Passo 5: as derramas regional e municipal

Aqui está a grande diferença face a Portugal. Para além do IRPEF, o trabalhador paga uma derrama regional e uma municipal, que dependem de onde vive. No IRS português não há uma sobretaxa local deste tipo.

Os valores variam bastante. Em Milão a taxa municipal é de 0,8% com isenção até 23.000 €; em Roma é de 0,9%; em Nápoles de 1,0%; em Turim é progressiva, de 0,8% a 1,2%. A taxa regional vai de cerca de 1,23% na Lombardia até 3,33% no Lácio acima de 28.000 €. Estes valores vêm de fontes secundárias e estão assinalados nas nossas páginas de cidade.

Com a mesma RAL, a diferença de líquido entre a combinação mais barata e a mais cara pode ser da ordem de 1.000 a 1.500 € por ano. Não muda o seu custo, mas muda o que o candidato leva para casa.

## Passo 6: dividir pelas prestações

O líquido anual divide-se pelo número de prestações: 13 ou 14 conforme a convenção, ou 12 se as prestações extra forem pagas em duodécimos. Por isso o "líquido mensal" de que o candidato fala depende de como o salário é pago.

## Porque a intuição portuguesa falha

Três razões:

- as contribuições do trabalhador são mais baixas do que os 11% portugueses, o que aumenta o líquido;
- as derramas locais acrescentam imposto que não existe em Portugal, o que reduz o líquido;
- a estrutura de deduções é diferente, e pesa muito nos salários médios.

O saldo depende do salário e da cidade. Não há regra de bolso fiável: é preciso calcular.

## O que dizer ao candidato

Faça a proposta em RAL e dê uma estimativa de líquido, deixando claro que é indicativa e depende da situação pessoal. Para candidatos portugueses que se mudam para Itália, lembre que a residência fiscal muda o quadro, e que devem confirmar a sua situação junto das Finanças. <span class="review">[validar com consultor fiscal]</span>

## Em resumo

Contribuições, IRPEF por escalões, deduções, derramas locais e número de prestações: são estes os cinco passos. Use a [calculadora do líquido](/calculadora-salario-liquido.html) para um valor concreto por cidade, e a [calculadora de custos](/calculadora.html) para o lado do empregador.

## Perguntas rápidas

**O líquido muda no segundo ano?** Pode mudar, por exemplo com o início das derramas ou alterações de deduções. Avise o candidato.

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Source: https://contrataremitalia.com/articles/bruto-liquido-italia-vs-portugal.html · 2026-10-14
